O Obama disse que Lula é o “cara”. Eu digo que Lula é o sociólogo. Isto mesmo sem aspas. Para quem diz que eu não reconheço as virtudes do presidente ex-operário – o que não é verdade – está aqui o meu reconhecimento público.
Lula, é sabido, não tem graduação superior, nem gosta de ler livros, mas entende mais de sociologia do proletariado do que a maioria de seus companheiros, teóricos e ideólogos de esquerda. Estes tinham a pretensão de usá-lo e guia-lo para saciar os seus desejos reprimidos pelo poder burguês, mas felizmente o processo se deu ao inverso, Lula os usou para saciar o seu desejo assumido pelo poder. E vou além, Lula entende mais do proletariado do que Karl Marx, o profeta e santo de devoção da esquerda, que jamais entrou numa fábrica. Inclusive recusou convite de seu companheiro e financiador, Friedrich Engels, para conhecê-la e sentir a realidade proletária. Achou que poderia conhecer a psicologia do operariado e fazer sociologia baseando-se em livros apenas.
A razão é simples, Lula foi metalúrgico e líder sindical, sua sociologia é do operário real, tal como ele é, não do operário ideal, conforme os sociólogos de gabinete acham que ele deveria ser. Ele sabe que, no geral, o proletariado não quer a revolução socialista, tampouco ficar discutindo textos do Marx, do Foucault e da Marilena Chauí. Ele quer é aumentar sua participação no sociedade capitalista, ou seja, ele quer encher o carrinho no supermercado, comprar eletrodomésticos modernos, ter um carro ao menos popular, freqüentar mais pizzaria, churrascaria e bares bacanas, poder viajar mais, se puder se hospedar num hotel e ir de avião melhor, e ter uma mulher bonita ou que se produza esteticamente o suficiente para poder fantasiar e gozar.
Lula sabe que o proletariado não suporta intelectual (ou pseudo-intelectual) metido a tutor e doutrinador. Que se acha instrutor de ignorantes e guia de cegos, que tem a presunção de achar que sabe mais do proletariado do que o próprio proletário.
E o proletariado é assim não porque é uma massa alienada na sociedade de consumo, produto do capitalismo, e sim porque a espécie humana ao longo de sua história evolutiva busca as formas de vida que maximizem o prazer e minimizem a dor, que proporcionam uma vida mais confortável.
Certa vez, em 1979, quando era líder sindical Lula aceitou o convite da Playboy para ir ao Gallery, na época uma das mais badaladas casas noturnas de São Paulo, símbolo da elite econômica paulistana, e lá saboreou whisky. Diante dos ataques disparados da direita à esquerda, Lula não titubeou, disse que queria que todo operário ganhasse o suficiente para freqüentar a Gallery. Uma ofensa às alas hipócritas e burguesas enrustidas da esquerda, que ficaram afetadas por ver aquele que supostamente encarnaria o messias do proletariado se alegrando num templo burguês. E também às alas da direita que bafejam preconceito ideológico diante das classes emergentes ainda e das elites nordestinas – até o Collor sofreu um pouco disso - , e usa isso para descaracterizar a luta dos trabalhadores empregados. Coisa típica de uma parte da elite econômica paulistana.
Noutra ocasião quando começaram a implicar com ele por ter passado a freqüentemente a usar terno, também não se fez de rogado. Disse que todo operário gostaria de andar bem vestido. E se ele pudesse andaria sempre bem vestido. Respondeu com liberdade e realismo, sem pudores.
Lula tem tido um governo de aprovação popular recorde, que reflete uma sensível melhora nas condições de vida das camadas sociais mais baixas e um aumento significativo da participação delas no mercado consumidor, pelo menos, a curto prazo, porque agiu com pragmatismo na economia. A despeito das pataqüadas que diz, do tipo “nunca antes neste país” e de dizer que recebeu uma “herança maldita” do governo FHC, na prática Lula fez uma progressão continuada da política econômica e ampliada da política social de seu antecessor.
O primeiro sinal disso foi dado com a publicação da “Carta ao povo brasileiro” na época da campanha presidencial, se comprometendo a manter as diretrizes econômicas do governo FHC. Mas a prova evidente viria quando já eleito convidou Henrique Meireles, um tucano, recém-eleito deputado federal, para presidir o Banco Central, o que ele faz até o momento. E a prova se reforçou quando ele blindou Antonio Palocci, no ministério da Fazenda, do “fogo amigo”, devido ter dado prosseguimento à política econômica dos tucanos.
E assim fez porque sabe que se o mérito do Plano Real na estabilização da economia, no controle da inflação. Sabe que as privatizações e a abertura, iniciadas no governo Collor e ampliadas no governo FHC, desoneraram o Estado, atraíram investimentos estrangeiros, modernizaram e dinamizaram a indústria, aumentaram a empregabilidade, a produção e, conseqüentemente, a arrecadação tributária, que permitiu um investimento maior nas políticas sociais em seu governo. Ou seja, ele se beneficia de medidas que o PT, quando oposição, se opôs histericamente.
É importante frisar que os serviços prestados pelo Estado são financiados pela população através dos impostos diretos e indiretos. A “caridade” que o governo faz é com o chapéu dos outros.
Não se trata aqui de dizer que Lula meramente deu continuidade a FHC – o que já seria meritório-, até porque em matéria de política administrativa, ele foi na contramão. Enquanto o tucano se esforçou para enxugar e profissionalizar a máquina estatal, o petista se esforçou para engordá-la, aparelhando-a partidariamente, o que a médio e longo prazo tende a trazer problemas na economia. Trata-se, sim, de reconhecer as notórias, inteligência política e sociologia aplicada, de Lula, sem as quais ela cairia na tentação de seguir os devaneios dos jurássicos da esquerda, e os brasileiros estariam fazendo “panelaço”, tomando “banho de gato” e limpando o bumbum com o “jornalzinho do PT”.
Lula não foi homenageado pelo Fórum de Davos por acaso.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Deus e o Haiti
Tragédias como o terremoto no Haiti já ocorreram milhares de vezes na história e continuarão a ocorrer. É claro que para as vítimas do Haiti e seus chegados foi a tragédia, o que requer nosso respeito e, se possível, uma solidariedade que vá além das palavras. Contudo, historicamente, foi só mais uma tragédia, que circunstancialmente tomamos conhecimento, ao contrário de tantas outras que acontecem e não tiram o nosso sono, não mudam a nossa rotina e nem interrompem o nosso prazer.
Em maior ou menor magnitude catástrofes acontecem todo dia. Uma catástrofe não se mede pelo número de vítimas. E acontecem não longe de nós. Por isso, aqueles que estão abalados com a tragédia haitiana, mas não podem ir até lá, porque fica muito longe, nem enviar recursos, podem ficar tranqüilos, não faltarão ocasiões para eles exercerem compaixão, seguindo o exemplo de Zilda Arns.
Algumas tragédias são evitáveis, outras não. Não sei até que ponto a tragédia no Haiti era evitável. Tragédias evitáveis não são evitadas por causa do atraso dos subdesenvolvidos, da ganância e do descaso dos desenvolvidos, e do cinismo daqueles que amam a humanidade, mas não suportam o seu próximo, por isso só se solidarizam com àqueles que estão distantes.
Tragédias poderiam ser evitadas se a extensa rede solidária que elas mobilizam se mobilizasse antes, para que elas não acontecessem ou pelo menos o impacto delas fosse menor.
Só sei que a tragédia expressa bem o caráter paradoxal da vida, ironiza e relativiza as lógicas e a coerência de que a razão quer enxergar nela e os idealismos românticos, p. ex, o da justa retribuição moral e de que a natureza é nossa amiga.
Deus é o maior exemplo de paradoxo da vida, é insolúvel e obscuro para a razão, mas solúvel e elucidador pela Fé. Eu creio que o Deus que inspirou Zilda Arns a sua vida às causas do Evangelho, de serviço aos pobres e miseráveis, e de defesa da vida – lembre-se que Zilda não transigia em relação ao aborto e muito criticada foi por isso -, que traduziu através da vida dela os ensinamentos de Jesus poderia ter impedido o terremoto, porque Ele não foi pego de surpresa. Poderia, inclusive, ter ressuscitado todos os mortos na tragédia, mas assim não quis.
Eu creio que o Deus que está e opera por intermédio dos médicos, bombeiros, enfermeiros e demais voluntários que estão servindo ao povo haitiano e que o consola através do seu Espírito é o mesmo que se alegra mutuamente na sua glória com tantos – quem sabe todos – que foram tragados pela terra com seu consentimento - já que Ele poderia ter violado às leis da física.
Eu creio que este Deus faz nascer o sol e cair a chuva e desabar torres sobre cristãos e pagãos, crentes e descrentes. É o Deus para quem as trevas e a luz são a mesma coisa. Quando não livra um filho da morte o promove para a vida eterna.
Este Deus não se explica, se crê. E quem crê sabe que Ele ama quando intervém e quando não intervém, embora nem sempre possa discernir o mistério - que só é mistério para a humanidade e não para Ele -, mas não deixa de crer porque confia que Ele sabe mais da vida, do amor e da justiça do que os poetas, os filósofos e os teólogos.
E porque confia nEle, mesmo quando não o sente, sua razão não o entende e sua alma fica perplexa com as catástrofe que Ele não interrompe, procura seguir a religião de Jesus, sua encarnação, fez e ensinou, isto é, “...cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo (Tiago 1.27)”. Segue com fé de que mesmo que as intenções para as boas obras não sejam boas, ou seja, sejam para suscitar aplausos por sua sensibilidade social, para se promover politicamente, para se autoproteger do flagelo humano ou para barganhar bênçãos com Deus, Ele é misericordioso para perdoá-lo e santificar suas obras ao chegar às mãos de quem precisa. E segue sem se intimidar pelo temor das tragédias e dos adversários que possam lhe atravessar o seu caminho, porque sabe que já passou da morte para a vida, e sua esperança em Cristo não se limita a sua existência temporal.
Quem pensa que é mais justo do que Deus e que sua capacidade de amar é maior, que o chame para um debate, quem sabe poderá convencê-lo de que pode ser um gestor cósmico melhor se ouvir suas orientações.
Em maior ou menor magnitude catástrofes acontecem todo dia. Uma catástrofe não se mede pelo número de vítimas. E acontecem não longe de nós. Por isso, aqueles que estão abalados com a tragédia haitiana, mas não podem ir até lá, porque fica muito longe, nem enviar recursos, podem ficar tranqüilos, não faltarão ocasiões para eles exercerem compaixão, seguindo o exemplo de Zilda Arns.
Algumas tragédias são evitáveis, outras não. Não sei até que ponto a tragédia no Haiti era evitável. Tragédias evitáveis não são evitadas por causa do atraso dos subdesenvolvidos, da ganância e do descaso dos desenvolvidos, e do cinismo daqueles que amam a humanidade, mas não suportam o seu próximo, por isso só se solidarizam com àqueles que estão distantes.
Tragédias poderiam ser evitadas se a extensa rede solidária que elas mobilizam se mobilizasse antes, para que elas não acontecessem ou pelo menos o impacto delas fosse menor.
Só sei que a tragédia expressa bem o caráter paradoxal da vida, ironiza e relativiza as lógicas e a coerência de que a razão quer enxergar nela e os idealismos românticos, p. ex, o da justa retribuição moral e de que a natureza é nossa amiga.
Deus é o maior exemplo de paradoxo da vida, é insolúvel e obscuro para a razão, mas solúvel e elucidador pela Fé. Eu creio que o Deus que inspirou Zilda Arns a sua vida às causas do Evangelho, de serviço aos pobres e miseráveis, e de defesa da vida – lembre-se que Zilda não transigia em relação ao aborto e muito criticada foi por isso -, que traduziu através da vida dela os ensinamentos de Jesus poderia ter impedido o terremoto, porque Ele não foi pego de surpresa. Poderia, inclusive, ter ressuscitado todos os mortos na tragédia, mas assim não quis.
Eu creio que o Deus que está e opera por intermédio dos médicos, bombeiros, enfermeiros e demais voluntários que estão servindo ao povo haitiano e que o consola através do seu Espírito é o mesmo que se alegra mutuamente na sua glória com tantos – quem sabe todos – que foram tragados pela terra com seu consentimento - já que Ele poderia ter violado às leis da física.
Eu creio que este Deus faz nascer o sol e cair a chuva e desabar torres sobre cristãos e pagãos, crentes e descrentes. É o Deus para quem as trevas e a luz são a mesma coisa. Quando não livra um filho da morte o promove para a vida eterna.
Este Deus não se explica, se crê. E quem crê sabe que Ele ama quando intervém e quando não intervém, embora nem sempre possa discernir o mistério - que só é mistério para a humanidade e não para Ele -, mas não deixa de crer porque confia que Ele sabe mais da vida, do amor e da justiça do que os poetas, os filósofos e os teólogos.
E porque confia nEle, mesmo quando não o sente, sua razão não o entende e sua alma fica perplexa com as catástrofe que Ele não interrompe, procura seguir a religião de Jesus, sua encarnação, fez e ensinou, isto é, “...cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo (Tiago 1.27)”. Segue com fé de que mesmo que as intenções para as boas obras não sejam boas, ou seja, sejam para suscitar aplausos por sua sensibilidade social, para se promover politicamente, para se autoproteger do flagelo humano ou para barganhar bênçãos com Deus, Ele é misericordioso para perdoá-lo e santificar suas obras ao chegar às mãos de quem precisa. E segue sem se intimidar pelo temor das tragédias e dos adversários que possam lhe atravessar o seu caminho, porque sabe que já passou da morte para a vida, e sua esperança em Cristo não se limita a sua existência temporal.
Quem pensa que é mais justo do que Deus e que sua capacidade de amar é maior, que o chame para um debate, quem sabe poderá convencê-lo de que pode ser um gestor cósmico melhor se ouvir suas orientações.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Escritura Sagrada e Palavra de Deus
Ao ler vários trechos de algumas obras do teólogo e pastor reformado Karl Barth (1886 – 1968), natural da Basiléia, Suíça, em especial “Carta aos Romanos” - um comentário sobre a epístola do apóstolo Paulo a comunidade cristã de Roma - e algumas apreciações de sua teologia como um todo, fui atraído pela concretude de sua cristologia.
É oportuno lembrar preliminarmente que Barth viveu numa época em que a secularização já estava num estágio avançado na Europa Ocidental, em especial nos países de predominância da vertente protestante do Cristianismo, como a Suíça, a Holanda e a Inglaterra, além da Alemanha, onde os índices do protestantismo e o catolicismo são bem equilibrados. O liberalismo teológico já estava impregnado nas faculdades, nos seminários e nas igrejas cristãs, hegemonicamente nas protestantes. A Bíblia já havia sido dessacralizada, submetida à crítica literária, os fenômenos miraculosos relatados por ela foram desmistificados, atribuídos à mente primitiva, pré-científica; a razão foi erguida e a fé subordinada a ela no conhecimento bíblico.
Graduado na tradição liberal Barth começou a desacredita-la durante o seu ministério pastoral, quando começou a perceber que a erudição teológica liberal, com suas dissertações críticas sobre o relato bíblico, seu humanismo demasiado e seu otimismo no progresso da humanidade por suas próprias virtudes, era ineficaz para saciar a fome espiritual dos fiéis. Eles requeriam uma palavra que atendesse suas demandas existenciais, que os confortasse e desse alento em seus problemas psíquicos e sociais.
O descrédito no liberalismo teológico foi consumado durante a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918). Barth se decepcionou profundamente com o apoio declarado de professores seus, à política de guerra do Kaiser, em 1914, o imperador alemão Guilherme II. A carnificina da guerra pulverizou em Barth a crença que restava no progresso da humanidade.
Felizmente o fruto do desapontamento foi o (re) enlace de Barth com a Bíblia, como Escritura Sagrada, que gerou sua teologia da Palavra de Deus, a saber, de Jesus Cristo. Barth diferencia Escritura Sagrada – Bíblia - de Palavra Deus. A primeira contém, mas não esgota a segunda, que a extrapola. A Palavra de Deus é sujeito – Jesus Cristo -, que se revela, fala e confronta; não é um objeto – Escritura Sagrada - que pode ser controlado e ser dissecado. Pelo contrário, é ele que controla e disseca: “Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração”. (Hebreus 4.12)
A Palavra de Deus, segundo Barth, assume três formas indissociáveis:
1. Revelação: compreende toda a história da humanidade, que é a história da salvação, cujo ápice é a encarnação de Deus, a manifestação visível de sua Palavra - Jesus Cristo. O Antigo Testamento aponta para sua vinda e o Novo Testamento a recorda e sinaliza sua volta. Em Jesus Cristo Deus concede a humanidade, a chave que abre as portas para a compreensão do passado e do futuro.
2. Bíblia: é o testemunho humano sobre a Revelação. Por ser humano é sujeito a condicionamentos sócio-históricos, na apreensão e na descrição dela. É Palavra de Deus na medida que Deus fala por seu intermédio.
3. Pregação: é o testemunho da Igreja acerca da Revelação, abrange a teologia e os sacramentos (batismo e eucaristia). Seu padrão de referência é o testemunho escrito da Revelação – a Bíblia – compreendida a luz de Jesus Cristo. Toda filosofia empregada na sua estruturação e transmissão tem como condição sine qua nom a subordinação à Escritura Sagrada e esta a Jesus Cristo.
Com Barth aprendemos de forma nítida que toda teologia por melhor sistematizada e mais sofisticada que seja, que não tenha Jesus Cristo como ponto de partida e ponto de chegada, não passará de uma abstração estéril no conhecimento da Revelação. Pode até incitar “masturbação mental” nos “intelectuais da fé” e arroubo na massa religiosa, todavia pouco nos aproximará da Palavra de Deus. A doutrina da Trindade não passará de fórmula metafísica se não compreendemos o Deus acima de nós – Pai – e o Deus com nós – o Espírito Santo – tendo como paradigma Jesus Cristo. “Ele [Deus Filho], que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser [Deus Pai” (Hebreus 1.3)...
É oportuno lembrar preliminarmente que Barth viveu numa época em que a secularização já estava num estágio avançado na Europa Ocidental, em especial nos países de predominância da vertente protestante do Cristianismo, como a Suíça, a Holanda e a Inglaterra, além da Alemanha, onde os índices do protestantismo e o catolicismo são bem equilibrados. O liberalismo teológico já estava impregnado nas faculdades, nos seminários e nas igrejas cristãs, hegemonicamente nas protestantes. A Bíblia já havia sido dessacralizada, submetida à crítica literária, os fenômenos miraculosos relatados por ela foram desmistificados, atribuídos à mente primitiva, pré-científica; a razão foi erguida e a fé subordinada a ela no conhecimento bíblico.
Graduado na tradição liberal Barth começou a desacredita-la durante o seu ministério pastoral, quando começou a perceber que a erudição teológica liberal, com suas dissertações críticas sobre o relato bíblico, seu humanismo demasiado e seu otimismo no progresso da humanidade por suas próprias virtudes, era ineficaz para saciar a fome espiritual dos fiéis. Eles requeriam uma palavra que atendesse suas demandas existenciais, que os confortasse e desse alento em seus problemas psíquicos e sociais.
O descrédito no liberalismo teológico foi consumado durante a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918). Barth se decepcionou profundamente com o apoio declarado de professores seus, à política de guerra do Kaiser, em 1914, o imperador alemão Guilherme II. A carnificina da guerra pulverizou em Barth a crença que restava no progresso da humanidade.
Felizmente o fruto do desapontamento foi o (re) enlace de Barth com a Bíblia, como Escritura Sagrada, que gerou sua teologia da Palavra de Deus, a saber, de Jesus Cristo. Barth diferencia Escritura Sagrada – Bíblia - de Palavra Deus. A primeira contém, mas não esgota a segunda, que a extrapola. A Palavra de Deus é sujeito – Jesus Cristo -, que se revela, fala e confronta; não é um objeto – Escritura Sagrada - que pode ser controlado e ser dissecado. Pelo contrário, é ele que controla e disseca: “Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração”. (Hebreus 4.12)
A Palavra de Deus, segundo Barth, assume três formas indissociáveis:
1. Revelação: compreende toda a história da humanidade, que é a história da salvação, cujo ápice é a encarnação de Deus, a manifestação visível de sua Palavra - Jesus Cristo. O Antigo Testamento aponta para sua vinda e o Novo Testamento a recorda e sinaliza sua volta. Em Jesus Cristo Deus concede a humanidade, a chave que abre as portas para a compreensão do passado e do futuro.
2. Bíblia: é o testemunho humano sobre a Revelação. Por ser humano é sujeito a condicionamentos sócio-históricos, na apreensão e na descrição dela. É Palavra de Deus na medida que Deus fala por seu intermédio.
3. Pregação: é o testemunho da Igreja acerca da Revelação, abrange a teologia e os sacramentos (batismo e eucaristia). Seu padrão de referência é o testemunho escrito da Revelação – a Bíblia – compreendida a luz de Jesus Cristo. Toda filosofia empregada na sua estruturação e transmissão tem como condição sine qua nom a subordinação à Escritura Sagrada e esta a Jesus Cristo.
Com Barth aprendemos de forma nítida que toda teologia por melhor sistematizada e mais sofisticada que seja, que não tenha Jesus Cristo como ponto de partida e ponto de chegada, não passará de uma abstração estéril no conhecimento da Revelação. Pode até incitar “masturbação mental” nos “intelectuais da fé” e arroubo na massa religiosa, todavia pouco nos aproximará da Palavra de Deus. A doutrina da Trindade não passará de fórmula metafísica se não compreendemos o Deus acima de nós – Pai – e o Deus com nós – o Espírito Santo – tendo como paradigma Jesus Cristo. “Ele [Deus Filho], que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser [Deus Pai” (Hebreus 1.3)...
Aquarela, Toquinho, Stênio e a Fé
Toquinho canta em Aquarela, música de sua autoria: E o futuro é uma astronave/Que tentamos pilotar/Não tem tempo, nem piedade/Nem tem hora de chegar/Sem pedir licença/Muda a nossa vida/E depois convida/A rir ou chorar.../Nessa estrada não nos cabe/Conhecer ou ver o que virá/O fim dela ninguém sabe/Bem ao certo onde vai dar/Vamos todos/Numa linda passarela/De uma aquarela/Que um dia enfim/Descolorirá...
(Cf.: http://www.youtube.com/watch?v=IG1ZU56tsdo&feature=related)
Este trecho retrata com realismo poético a dinâmica da nossa existência, cheia de relatividades e contradições, vista dentro de uma perspectiva humana. Façamos o exercício de rememorar os últimos finais de ano, pelo menos os últinos três, os balanços que fizemos dos anos correntes, os saldo que eles tiveram para nós, positivo ou negativo, as expectativas e planos que tinhamos para o ano seguinte, as estratégias que elaboramos para alcançá-los. Depois, comparemos com o que de fato aconteceu no ano seguinte. O que se confirmou, o que foi relativizado e o que foi descartado. As surpresas agradáveis e desagradáveis que tivemos.
Veremos, então, que muitas coisas que eram certas para nós se tornaram incertas - isto para o bem ou para o mal; que o que aconteceu de certo ou de errado, era algumas vezes relativamente previsível outras não. Os ganhos que tivemos nem sempre foram frutos do nosso trabalho, de nosso planejamento estratégico. Mesmo aqueles que foram, tiveram a participação direta e indireta de outros, sem as quais não seria possível colher os frutos. Colhemos também frutos que não plantamos, e nem capinamos, adubamos e regamos a terra em que eles nasceram. Em relação as perdas também, algumas delas não foram consequências de imprudências e impéricias nossas, de erros estratégicos. Muitas vezes fizemos o melhor que podíamos, seguimos conselhos especializados, fizemos conforme o script, mas os resultados não apareceram. Enquanto outras perdas poderiam ser previstas e evitadas, se ouvíssemos e pensássemos mais.
O imponderável é um fator presente nas vitórias e nas derrotas. Ele é imponderável, não apenas porque nossa consciência tem um alcance limitado, mas também porque o mundo é infinito e está em constante transformação. E os fatores de transformação não são todos vísiveis. O mundo que é, é maior do que aquele que vemos.
Então planejar é relativo? Sim, mas não descartável. Jesus ensinou que se alguém quer construir um torre deve, antes, calcular para ver se tem os recursos para concluí-la, isto é, antes de fazermos um investimento, inclusive os amorosos, devemos saber se temos como bancar até o fim. Ensinou que devemos construir nossa casa sobre a rocha, porque se construirmos sobre a areia, quando a tempestade vier ela será levada pela correnteza. Ou seja, há tempestade que inevitavelmente vêm, independente do que fazemos ou deixemos de fazer, por isso estejamos sobre a rocha para não sermos arrastados e arrasados por ela.
Jesus claramente ensina que há uma certa correlação entre aquilo que é semeado e aquilo que é colhido, como também há coisas que simplesmente acontecem porque tinham que acontecer.
Caso alguém tenha dúvida da lei da semeadura, viva desordenadamente, sem planejamento algum, seguindo unicamente o seu faro e compare os resultados, a médio e longo prazo, com a vida daquele que planeja, que toma decisões ponderadas e calculadas, que não se orienta apenas pelo instinto e pela intuição.
Por outro lado, nada é garantia de nada se os olhos estiverem focados apenas na temporalidade. Deus não tem compromisso com nossos sonhos e nossos projetos, muito menos com nossa justiça própria. Ele tem compromisso, sim, com o amor que Ele se comprometeu a nos amar, que se pode ser compreendido pela fé. E se formos só um pouquinho intleigente já podemos saber que Ele sabe mais da vida do que a gente.
Por que? Porque o futuro, a astronave que tentamos pilotar, fazendo valer nossa liberdade, não tem tempo, nem piedade. Não avisa quando começa, quando termina, quando recomeça e quando acaba de vez a viagem. Nem tem hora certa para chegar, nem garante se vai chegar, ainda que a gente tenha a ilusão que esteja no controle dela. Não pedi licença para mudar o rumo e o roteiro da viagem. E ao mudar simplesmente nos convida a sorrir ou a chorar. É o que podemos fazer.
Na estrada da vida a gente não sabe ao certo para onde vai, nem como a gente vai chegar lá, aonde a gente não sabe. Não sabemos o que nos espera na próxima curva. Nessa estrada não nos cabe/Conhecer ou ver o que virá/O fim dela ninguém sabe/Bem ao certo onde vai dar.
A gente sabe, ou pelo menos deveria saber, que nossa vida, independente da performance na passarela e da beleza da aquarela, um dia descolorirá. Vamos todos/Numa linda passarela/De uma aquarela/Que um dia enfim/Descolorirá...Àqueles, porém, que tem uma consciência ampliada da Palavra de Deus, pela fé sabem que não sabem como será a viagem, qual o percurso, as estradas que percorrerão e o tempo de duração, mas sabem com quem viajam, Jesus Cristo. Sabem que suas vidas estão ocultas com ele para o que der e vier. E, por isso, estão certos que quando o temporal se descolorir, as cores vivas da eternidade serão impressas em suas vidas. Saberão, então, o significado das relatividades e contradições da tempo, verão o desenho de sua existência pelo lado certo. Conforme Stenio Marcius em O Tapeceiro: Se você olha do avesso/Nem imagina o desfecho/No fim das contas/Tudo se explica/Tudo se encaixa/Tudo coopera pro meu bem/Quando se vê pelo lado certo/Muda-se logo a expressão do rosto/Obra de arte pra honra e glória/Do Tapeceiro/Quando se vê pelo lado certo/Todas as cores da minha vida/Dignificam a Jesus Cristo/O Tapeceiro. (Cf.: http://www.youtube.com/watch?v=CcfKTXtkC-I)
Digo isso porque não sabemos como será 2010. O que virá, o que partirá e se repartirá, o que partirá e nunca mais vai voltar, o que retornará. Os amores e as amizades que virão, que irão embora ou que regresserão. Provavelmente teremos ambos movimentos. Se o emprego esperado virá, se aparecerá uma proposta inesperada de trabalho ou se o desemprego nos assaltará. Não sabemos nem podemos garantir que tragédias não ocorrerão. Nem que novas paixões arrebatarão os nossos corações. Não adianta bater na madeira, fazer figa, dizer “tá amarrado em nome de Jesus”, se benzer, toamr banho de sal grosso e buscar ou pagar “cobertura espiritual” evangélica.
Adianta exercitar a Fé e saber que podemos todas as coisas naquele que nos fortalece – Jesus Cristo. E podemos porque para Deus, simplesmente, as trevas e a luz são iguais, noite brilha como o dia.
Quem em 2010 esta certeza possa estar cada vez mais certa em nós!
(Cf.: http://www.youtube.com/watch?v=IG1ZU56tsdo&feature=related)
Este trecho retrata com realismo poético a dinâmica da nossa existência, cheia de relatividades e contradições, vista dentro de uma perspectiva humana. Façamos o exercício de rememorar os últimos finais de ano, pelo menos os últinos três, os balanços que fizemos dos anos correntes, os saldo que eles tiveram para nós, positivo ou negativo, as expectativas e planos que tinhamos para o ano seguinte, as estratégias que elaboramos para alcançá-los. Depois, comparemos com o que de fato aconteceu no ano seguinte. O que se confirmou, o que foi relativizado e o que foi descartado. As surpresas agradáveis e desagradáveis que tivemos.
Veremos, então, que muitas coisas que eram certas para nós se tornaram incertas - isto para o bem ou para o mal; que o que aconteceu de certo ou de errado, era algumas vezes relativamente previsível outras não. Os ganhos que tivemos nem sempre foram frutos do nosso trabalho, de nosso planejamento estratégico. Mesmo aqueles que foram, tiveram a participação direta e indireta de outros, sem as quais não seria possível colher os frutos. Colhemos também frutos que não plantamos, e nem capinamos, adubamos e regamos a terra em que eles nasceram. Em relação as perdas também, algumas delas não foram consequências de imprudências e impéricias nossas, de erros estratégicos. Muitas vezes fizemos o melhor que podíamos, seguimos conselhos especializados, fizemos conforme o script, mas os resultados não apareceram. Enquanto outras perdas poderiam ser previstas e evitadas, se ouvíssemos e pensássemos mais.
O imponderável é um fator presente nas vitórias e nas derrotas. Ele é imponderável, não apenas porque nossa consciência tem um alcance limitado, mas também porque o mundo é infinito e está em constante transformação. E os fatores de transformação não são todos vísiveis. O mundo que é, é maior do que aquele que vemos.
Então planejar é relativo? Sim, mas não descartável. Jesus ensinou que se alguém quer construir um torre deve, antes, calcular para ver se tem os recursos para concluí-la, isto é, antes de fazermos um investimento, inclusive os amorosos, devemos saber se temos como bancar até o fim. Ensinou que devemos construir nossa casa sobre a rocha, porque se construirmos sobre a areia, quando a tempestade vier ela será levada pela correnteza. Ou seja, há tempestade que inevitavelmente vêm, independente do que fazemos ou deixemos de fazer, por isso estejamos sobre a rocha para não sermos arrastados e arrasados por ela.
Jesus claramente ensina que há uma certa correlação entre aquilo que é semeado e aquilo que é colhido, como também há coisas que simplesmente acontecem porque tinham que acontecer.
Caso alguém tenha dúvida da lei da semeadura, viva desordenadamente, sem planejamento algum, seguindo unicamente o seu faro e compare os resultados, a médio e longo prazo, com a vida daquele que planeja, que toma decisões ponderadas e calculadas, que não se orienta apenas pelo instinto e pela intuição.
Por outro lado, nada é garantia de nada se os olhos estiverem focados apenas na temporalidade. Deus não tem compromisso com nossos sonhos e nossos projetos, muito menos com nossa justiça própria. Ele tem compromisso, sim, com o amor que Ele se comprometeu a nos amar, que se pode ser compreendido pela fé. E se formos só um pouquinho intleigente já podemos saber que Ele sabe mais da vida do que a gente.
Por que? Porque o futuro, a astronave que tentamos pilotar, fazendo valer nossa liberdade, não tem tempo, nem piedade. Não avisa quando começa, quando termina, quando recomeça e quando acaba de vez a viagem. Nem tem hora certa para chegar, nem garante se vai chegar, ainda que a gente tenha a ilusão que esteja no controle dela. Não pedi licença para mudar o rumo e o roteiro da viagem. E ao mudar simplesmente nos convida a sorrir ou a chorar. É o que podemos fazer.
Na estrada da vida a gente não sabe ao certo para onde vai, nem como a gente vai chegar lá, aonde a gente não sabe. Não sabemos o que nos espera na próxima curva. Nessa estrada não nos cabe/Conhecer ou ver o que virá/O fim dela ninguém sabe/Bem ao certo onde vai dar.
A gente sabe, ou pelo menos deveria saber, que nossa vida, independente da performance na passarela e da beleza da aquarela, um dia descolorirá. Vamos todos/Numa linda passarela/De uma aquarela/Que um dia enfim/Descolorirá...Àqueles, porém, que tem uma consciência ampliada da Palavra de Deus, pela fé sabem que não sabem como será a viagem, qual o percurso, as estradas que percorrerão e o tempo de duração, mas sabem com quem viajam, Jesus Cristo. Sabem que suas vidas estão ocultas com ele para o que der e vier. E, por isso, estão certos que quando o temporal se descolorir, as cores vivas da eternidade serão impressas em suas vidas. Saberão, então, o significado das relatividades e contradições da tempo, verão o desenho de sua existência pelo lado certo. Conforme Stenio Marcius em O Tapeceiro: Se você olha do avesso/Nem imagina o desfecho/No fim das contas/Tudo se explica/Tudo se encaixa/Tudo coopera pro meu bem/Quando se vê pelo lado certo/Muda-se logo a expressão do rosto/Obra de arte pra honra e glória/Do Tapeceiro/Quando se vê pelo lado certo/Todas as cores da minha vida/Dignificam a Jesus Cristo/O Tapeceiro. (Cf.: http://www.youtube.com/watch?v=CcfKTXtkC-I)
Digo isso porque não sabemos como será 2010. O que virá, o que partirá e se repartirá, o que partirá e nunca mais vai voltar, o que retornará. Os amores e as amizades que virão, que irão embora ou que regresserão. Provavelmente teremos ambos movimentos. Se o emprego esperado virá, se aparecerá uma proposta inesperada de trabalho ou se o desemprego nos assaltará. Não sabemos nem podemos garantir que tragédias não ocorrerão. Nem que novas paixões arrebatarão os nossos corações. Não adianta bater na madeira, fazer figa, dizer “tá amarrado em nome de Jesus”, se benzer, toamr banho de sal grosso e buscar ou pagar “cobertura espiritual” evangélica.
Adianta exercitar a Fé e saber que podemos todas as coisas naquele que nos fortalece – Jesus Cristo. E podemos porque para Deus, simplesmente, as trevas e a luz são iguais, noite brilha como o dia.
Quem em 2010 esta certeza possa estar cada vez mais certa em nós!
Pobre demo
O DEM (Democratas), o nem um pouco antigo PFL (Partido da Frente Liberal), nasceu de uma dissidência no PDS (Partido Democrático Social), antiga ARENA (Aliança Renovadora Nacional), partido que deu sustentação ao regime militar, e atual PP (Partido Progressista), de Paulo Maluf, Severino Cavalcanti, José Janene e cia., integrante da base lulista. O motivo foi a vitória de Paulo Maluf na convenção do PDS que elegeu o candidato que enfrentaria Tancredo Neves, do PMDB, na disputa presidencial indireta em 1985. Apoiadores do candidato derrotado Mario Andreazza, ex-ministro do Transporte, nos governos Costa e Silva e Médici, capitaneados por Antonio Carlos Magalhães, José Sarney, Aureliano Chaves, vice de Figueiredo, e Marco Maciel saíram do partido, formaram a “frente liberal” e se aliaram a candidatura oposicionista.
Sarney ocupou a vice na chapa de Tancredo, e com a morte deste a presidência caiu no seu colo. Por ironia do destino um filhote abastado da ditadura foi o primeiro presidente civil depois de 25 anos do regime, quem encaminhou a transição democrática, com ACM no ministério das Comunicações, Aureliano Chaves no das Minas e Energia, Marco Maciel no da Educação e depois na Casa Civil.
De Sarney a Fernando Henrique o PFL esteve no centro do poder, e foi o principal aliado. No governo tucano ocupou a vice-presidência com Marco Maciel. Com a vitória de Lula foi forçado a mudar de habito, trocar de papel, ser oposição, o que nestes quase oito anos de lulismo, a semelhança de seu parceiro, o PSDB, não conseguiu fazer bem feito. Ora representa de modo insosso, ora de modo patético.
Além disso, o DEM tem sofrido tem uma desidratação crônica. Em 1998 sua bancada na câmara e no senado era composta de respectivamente de 105 e 20 integrantes. Atualmente é de 55 e 13. Em 1998 elegeu seis governadores, já em 2006 apenas um. E para complicar ainda mais o seu quadro clínico, o único governador , José Roberto Arruda, do Distrito Federal, que até 15 dias atrás era sua principal vitrine e uma forte moeda de barganha política, para faturar a vice de Serra ou Aécio, dado seu governo ter mais de 70% de aprovação, foi pego com “as mãos na lama”, envolvido até “o pescoço” com o mensalão dos demos e associados brasilienses.
Para mim há pelo menos quatro causas que ajudam a compreender o quadro degenerativo do DEM.
1. Contradição genética: quem fecundou o partido, teoricamente liberal, defensor de uma economia de mercado com regulação mínima do Estado, pró-privatizações, foram caciques patrimonialistas, coronéis semi-capitalistas, que se enriqueceram com o sucateamento do Estado, usando o espaço público para fazer seus negócios e explorando os pobres por meio da política do “pão e circo”.
Esta contradição encontra paralelo no regime militar brasileiro, que apesar de ser uma ditadura de direita, criou mais de uma centena de estatais, principalmente no governo Geisel;
2. Desenraizamento popular: o partido não tem um lastro social, não tem uma faixa do eleitorado com alto grau de fidelização, não consegue vender suas idéias no atacado. O PT tem uma forte inserção no funcionalismo público, no sindicalismo, no movimento estudantil e em setores da intelectualidade e do meio artístico. O PSDB tem em outros setores da intelectualidade e do meio artístico, nas classes médias, tecnocrata e ilustrada, e nos grandes veículos da mídia. O PV tem entre os ambientalistas. Mesmos os partidos nanicos a esquerda do PT, PSOL, PC do B e PSTU, embora raquíticos eleitoralmente, controlam boa parte das faixas em que o PT é hegemônico, além de terem militâncias aguerridas e missionárias
O empresariado, que em tese poderia ser um setor simpático ao DEM, pela bandeiras da redução dos impostos, é pouco articulado politicamente, tem uma visão sistêmica precária, e tem uma tendência economicista, isto é, vota em quem oferece melhores condições para seus negócios lucrarem, os referenciais políticos e partidários ficam em segundo plano, isto quando são considerados.
O DEM precisaria convencê-los de que os altos lucros que grande parte do setor tem tido no governo Lula seriam ainda maiores se suas idéias fossem implantadas. Precisaria persuadir os banqueiros de que o recorde nos lucros que eles tiveram no lulismo seria quebrado quando os demos voltassem ao governo. Não é a toa que há setores do empresariado que preferem a Dilma, ex-guerrilheira marxista-leninista ao Serra;
3. Falta de líderes carismáticos: Pode-se alegar, com razão, que o PMDB numericamente o partido mais forte, também não tem uma faixa social fidelizada, e mesmo assim é o maior cotista no mercado político. Todavia, o PMDB tem líderes de grande projeção regional, que gostemos ou não, controlam amplas faixas do eleitorado, como José Sarney, Jader Barbalho, Jarbas Vasconcelos, Roberto Requião, Iris Rezende, Pedro Simon e Sérgio Cabral que agregam capital ao partido. Além do que, seu amplo pluralismo permite que se alie no todo ou em partes a quem estiver no poder;
A liderança mais expressiva do DEM, ACM, que ainda era muito forte na Bahia, faleceu no ano da “refundação” do partido. O ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, na sua terceira administração, minou sua projeção local e implodiu seu eventual potencial para se projetar nacionalmente. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi uma surpresa, um ganho inesperado para o partido, levando-se em conta que o partido era inexpressivo na maior cidade e no terceiro maior orçamento do país. Todavia, embora seu governo, a meu ver, seja mediano com oscilações positivas em algumas áreas e negativas em outras, seu perfil tecnocrático aliado ao fato de que ainda é um satélite do Serra, permite a sigla no máximo vislumbrar, com muito custo, vôos estaduais.
É preciso uma refundação de fato, não de direito, se o DEM não quiser morrer de inanição, e ser o que nunca foi, uma alternativa conservadora autêntica, uma direita respeitável.
Sarney ocupou a vice na chapa de Tancredo, e com a morte deste a presidência caiu no seu colo. Por ironia do destino um filhote abastado da ditadura foi o primeiro presidente civil depois de 25 anos do regime, quem encaminhou a transição democrática, com ACM no ministério das Comunicações, Aureliano Chaves no das Minas e Energia, Marco Maciel no da Educação e depois na Casa Civil.
De Sarney a Fernando Henrique o PFL esteve no centro do poder, e foi o principal aliado. No governo tucano ocupou a vice-presidência com Marco Maciel. Com a vitória de Lula foi forçado a mudar de habito, trocar de papel, ser oposição, o que nestes quase oito anos de lulismo, a semelhança de seu parceiro, o PSDB, não conseguiu fazer bem feito. Ora representa de modo insosso, ora de modo patético.
Além disso, o DEM tem sofrido tem uma desidratação crônica. Em 1998 sua bancada na câmara e no senado era composta de respectivamente de 105 e 20 integrantes. Atualmente é de 55 e 13. Em 1998 elegeu seis governadores, já em 2006 apenas um. E para complicar ainda mais o seu quadro clínico, o único governador , José Roberto Arruda, do Distrito Federal, que até 15 dias atrás era sua principal vitrine e uma forte moeda de barganha política, para faturar a vice de Serra ou Aécio, dado seu governo ter mais de 70% de aprovação, foi pego com “as mãos na lama”, envolvido até “o pescoço” com o mensalão dos demos e associados brasilienses.
Para mim há pelo menos quatro causas que ajudam a compreender o quadro degenerativo do DEM.
1. Contradição genética: quem fecundou o partido, teoricamente liberal, defensor de uma economia de mercado com regulação mínima do Estado, pró-privatizações, foram caciques patrimonialistas, coronéis semi-capitalistas, que se enriqueceram com o sucateamento do Estado, usando o espaço público para fazer seus negócios e explorando os pobres por meio da política do “pão e circo”.
Esta contradição encontra paralelo no regime militar brasileiro, que apesar de ser uma ditadura de direita, criou mais de uma centena de estatais, principalmente no governo Geisel;
2. Desenraizamento popular: o partido não tem um lastro social, não tem uma faixa do eleitorado com alto grau de fidelização, não consegue vender suas idéias no atacado. O PT tem uma forte inserção no funcionalismo público, no sindicalismo, no movimento estudantil e em setores da intelectualidade e do meio artístico. O PSDB tem em outros setores da intelectualidade e do meio artístico, nas classes médias, tecnocrata e ilustrada, e nos grandes veículos da mídia. O PV tem entre os ambientalistas. Mesmos os partidos nanicos a esquerda do PT, PSOL, PC do B e PSTU, embora raquíticos eleitoralmente, controlam boa parte das faixas em que o PT é hegemônico, além de terem militâncias aguerridas e missionárias
O empresariado, que em tese poderia ser um setor simpático ao DEM, pela bandeiras da redução dos impostos, é pouco articulado politicamente, tem uma visão sistêmica precária, e tem uma tendência economicista, isto é, vota em quem oferece melhores condições para seus negócios lucrarem, os referenciais políticos e partidários ficam em segundo plano, isto quando são considerados.
O DEM precisaria convencê-los de que os altos lucros que grande parte do setor tem tido no governo Lula seriam ainda maiores se suas idéias fossem implantadas. Precisaria persuadir os banqueiros de que o recorde nos lucros que eles tiveram no lulismo seria quebrado quando os demos voltassem ao governo. Não é a toa que há setores do empresariado que preferem a Dilma, ex-guerrilheira marxista-leninista ao Serra;
3. Falta de líderes carismáticos: Pode-se alegar, com razão, que o PMDB numericamente o partido mais forte, também não tem uma faixa social fidelizada, e mesmo assim é o maior cotista no mercado político. Todavia, o PMDB tem líderes de grande projeção regional, que gostemos ou não, controlam amplas faixas do eleitorado, como José Sarney, Jader Barbalho, Jarbas Vasconcelos, Roberto Requião, Iris Rezende, Pedro Simon e Sérgio Cabral que agregam capital ao partido. Além do que, seu amplo pluralismo permite que se alie no todo ou em partes a quem estiver no poder;
A liderança mais expressiva do DEM, ACM, que ainda era muito forte na Bahia, faleceu no ano da “refundação” do partido. O ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, na sua terceira administração, minou sua projeção local e implodiu seu eventual potencial para se projetar nacionalmente. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi uma surpresa, um ganho inesperado para o partido, levando-se em conta que o partido era inexpressivo na maior cidade e no terceiro maior orçamento do país. Todavia, embora seu governo, a meu ver, seja mediano com oscilações positivas em algumas áreas e negativas em outras, seu perfil tecnocrático aliado ao fato de que ainda é um satélite do Serra, permite a sigla no máximo vislumbrar, com muito custo, vôos estaduais.
É preciso uma refundação de fato, não de direito, se o DEM não quiser morrer de inanição, e ser o que nunca foi, uma alternativa conservadora autêntica, uma direita respeitável.
Segundas e reais intenções
Uma estratégia relativamente eficaz para esvaziar uma denúncia é por em xeque a idoneidade do denunciante. Assim como para fugir de responder objetivamente a uma crítica e ter ameaçada a segurança intelectual e emocional, é desqualificar o crítico, levantar suspeitas sobre suas reais intenções.
Os políticos usam recorrentemente esse expediente. Quando Pedro Collor denunciou a participação do irmão, o então presidente, Fernando Collor, num esquema de corrupção capitaneado por PC Farias, a tropa de choque collorida o acusou de agir movido uma inveja doentia do irmão e de estar com problemas psiquiátricos. E ainda indagou ironicamente aos opositores se eles comprariam um carro usado por Pedro. Quando o então motorista de Collor, Eriberto França, foi a CPI confirmar os depósitos que PC fazia na conta da secretária particular do presidente, Ana Acioli, o então deputado governista Roberto Jefferson, indagou se ele agia apenas por patriotismo, insinuando claramente que ele estava sendo bem pago para isso. O motorista oportunista respondeu ao deputado se ele achava pouco.
Catorze anos depois Francenildo, o caseiro de uma mansão em Brasília que denunciou que o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci freqüentava o local na companhia de seus ex-assessores na prefeitura de Ribeirão Preto e de empresários que participavam juntos com ele de um esquema de cobrança de propina, teve o seu sigilo bancário quebrado ilegalmente. A quebra foi uma tentativa evidente de desmoralizar o depoimento do caseiro, tentando provar que ele agia conforme o Roberto Jefferson achava que o Eriberto agia.
Recentemente o ex-presidente Fernando Henrique escreveu um artigo “Para onde vamos?” no qual (des) qualifica o presidente Lula de “DNA do autoritarismo”, acusando-o de “minar o espírito da democracia constitucional”. Lula não rebateu ao conteúdo do texto apenas disse que FHC é um “poço de mágoa”. Em outras palavras, eu não vou perder tempo em rebater a crítica, trata-se apenas de uma peça fabricada por um coração ressentido.
Desde sexta-feira a mídia tem veiculado vídeos e áudios coletados pela Polícia Federal, através da Operação Caixa de Pandora, que mostram o governador do Distrito Federal, recebendo maços de dinheiro extorquido de empresas fornecedoras do Estado para o pagamento de sua base aliada. Os documentos remontam à época que ele era deputado federal e candidato a governador pelo PFL, atual DEM. O senador potiguar e correligionário de Arruda, José Agripino, deu uma resposta que não saiu da linha. Disse que achava estranho que as denúncias viessem à tona em ano pré-eleitoral.
Interessa-me, sim, saber se Pedro Collor tinha inveja do irmão e se só o denunciou por que teve os seus negócios jornalísticos ameaçados pela concorrência de PC. Se Eriberto e Francenildo receberam dinheiro para depor, embora nada justifique uma quebra de sigilo ilegal. Se o FHC é um poço de mágoa e tem inveja de Lula. Eu particularmente acho que o Lula tem uma certa razão. Conquanto, eu tenha uma leve preferência administrativa no todo por FHC, considero Lula bem mais inteligente politicamente do que ele. A altíssima popularidade de Lula, para mim, surpreendeu, incomoda e desperta os baixos instintos do vaidoso tucano. E também me interessa saber se é por acaso que a denúncia contra Arruda veio a luz em ano pré-eleitoral e se não há seletividade partidária no rigor da Polícia Federal.
Considero relevante, sim, saber as segundas e reais intenções de uma crítica e de uma denúncia. O que a motivou e a serviço de quem estão. A política é um jogo maroto e rasteiro, em que, via de regra, seus atores, da direita à esquerda, não são movidos por fome e sede de justiça, mas por fome e sede de poder e glória, e atuam segundo a máxima, “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Fazer esses questionamentos é vital para não tornar críticos e denunciantes em heróis e exemplos de moralidade e de patriotismo, como se costuma fazer no Brasil. O Roberto Jefferson, por exemplo, em 2005, no auge da crise do mensalão, foi tratado por muita gente como um herói nacional, exemplo de coragem.
Muitas vezes o denunciador tem uma ficha criminal mais extensa que o denunciado, e quem critica, faz uma crítica que não tem autoridade moral de fazer, que serve mais a ele. Este é o problema de grande parte da oposição ao governo federal e razão da sua relevância e de seu crédito baixos para o povo.
Todavia, segundas e reais intenções, não devem ser usadas para impedir investigações e pré-absolver ninguém, nem para desconsiderar uma crítica. O que verdade é verdade, e o que é mentira é mentira, independente da boca de quem profere. Segundas e reais intenções devem ser usadas para mostrar as coisas como elas são, de que existem muitas trevas e pouca luz, para não nos enganarmos com simplificações maniqueístas e conspiratórias, mas não para distorcer a verdade. Paciência, a verdade é por nós e contra nós, entrega a todos, embora nem todos queiram se entregar a ela, e aqui se inclui demos, tucanos, peemedebistas, estrelas vermelhas e seus satélites.
Carisma, biografia e êxitos administrativos não podem servir de álibis para ninguém. Que a Justiça julgue com objetividade e imparcialidade, e a população faça o julgamento político nas urnas, ciente que não há nada tão ruim que não possa ser piorado.
Os políticos usam recorrentemente esse expediente. Quando Pedro Collor denunciou a participação do irmão, o então presidente, Fernando Collor, num esquema de corrupção capitaneado por PC Farias, a tropa de choque collorida o acusou de agir movido uma inveja doentia do irmão e de estar com problemas psiquiátricos. E ainda indagou ironicamente aos opositores se eles comprariam um carro usado por Pedro. Quando o então motorista de Collor, Eriberto França, foi a CPI confirmar os depósitos que PC fazia na conta da secretária particular do presidente, Ana Acioli, o então deputado governista Roberto Jefferson, indagou se ele agia apenas por patriotismo, insinuando claramente que ele estava sendo bem pago para isso. O motorista oportunista respondeu ao deputado se ele achava pouco.
Catorze anos depois Francenildo, o caseiro de uma mansão em Brasília que denunciou que o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci freqüentava o local na companhia de seus ex-assessores na prefeitura de Ribeirão Preto e de empresários que participavam juntos com ele de um esquema de cobrança de propina, teve o seu sigilo bancário quebrado ilegalmente. A quebra foi uma tentativa evidente de desmoralizar o depoimento do caseiro, tentando provar que ele agia conforme o Roberto Jefferson achava que o Eriberto agia.
Recentemente o ex-presidente Fernando Henrique escreveu um artigo “Para onde vamos?” no qual (des) qualifica o presidente Lula de “DNA do autoritarismo”, acusando-o de “minar o espírito da democracia constitucional”. Lula não rebateu ao conteúdo do texto apenas disse que FHC é um “poço de mágoa”. Em outras palavras, eu não vou perder tempo em rebater a crítica, trata-se apenas de uma peça fabricada por um coração ressentido.
Desde sexta-feira a mídia tem veiculado vídeos e áudios coletados pela Polícia Federal, através da Operação Caixa de Pandora, que mostram o governador do Distrito Federal, recebendo maços de dinheiro extorquido de empresas fornecedoras do Estado para o pagamento de sua base aliada. Os documentos remontam à época que ele era deputado federal e candidato a governador pelo PFL, atual DEM. O senador potiguar e correligionário de Arruda, José Agripino, deu uma resposta que não saiu da linha. Disse que achava estranho que as denúncias viessem à tona em ano pré-eleitoral.
Interessa-me, sim, saber se Pedro Collor tinha inveja do irmão e se só o denunciou por que teve os seus negócios jornalísticos ameaçados pela concorrência de PC. Se Eriberto e Francenildo receberam dinheiro para depor, embora nada justifique uma quebra de sigilo ilegal. Se o FHC é um poço de mágoa e tem inveja de Lula. Eu particularmente acho que o Lula tem uma certa razão. Conquanto, eu tenha uma leve preferência administrativa no todo por FHC, considero Lula bem mais inteligente politicamente do que ele. A altíssima popularidade de Lula, para mim, surpreendeu, incomoda e desperta os baixos instintos do vaidoso tucano. E também me interessa saber se é por acaso que a denúncia contra Arruda veio a luz em ano pré-eleitoral e se não há seletividade partidária no rigor da Polícia Federal.
Considero relevante, sim, saber as segundas e reais intenções de uma crítica e de uma denúncia. O que a motivou e a serviço de quem estão. A política é um jogo maroto e rasteiro, em que, via de regra, seus atores, da direita à esquerda, não são movidos por fome e sede de justiça, mas por fome e sede de poder e glória, e atuam segundo a máxima, “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Fazer esses questionamentos é vital para não tornar críticos e denunciantes em heróis e exemplos de moralidade e de patriotismo, como se costuma fazer no Brasil. O Roberto Jefferson, por exemplo, em 2005, no auge da crise do mensalão, foi tratado por muita gente como um herói nacional, exemplo de coragem.
Muitas vezes o denunciador tem uma ficha criminal mais extensa que o denunciado, e quem critica, faz uma crítica que não tem autoridade moral de fazer, que serve mais a ele. Este é o problema de grande parte da oposição ao governo federal e razão da sua relevância e de seu crédito baixos para o povo.
Todavia, segundas e reais intenções, não devem ser usadas para impedir investigações e pré-absolver ninguém, nem para desconsiderar uma crítica. O que verdade é verdade, e o que é mentira é mentira, independente da boca de quem profere. Segundas e reais intenções devem ser usadas para mostrar as coisas como elas são, de que existem muitas trevas e pouca luz, para não nos enganarmos com simplificações maniqueístas e conspiratórias, mas não para distorcer a verdade. Paciência, a verdade é por nós e contra nós, entrega a todos, embora nem todos queiram se entregar a ela, e aqui se inclui demos, tucanos, peemedebistas, estrelas vermelhas e seus satélites.
Carisma, biografia e êxitos administrativos não podem servir de álibis para ninguém. Que a Justiça julgue com objetividade e imparcialidade, e a população faça o julgamento político nas urnas, ciente que não há nada tão ruim que não possa ser piorado.
Meditar e orar faz bem
A medicina ocidental tem descoberto nos seus laboratórios, por intermédio de seu típico método experimental, respaldado em resultados verificáveis e quantificáveis, àquilo que os orientais já sabiam via intuição há pelo menos 2,5 milênios: meditar e orar faz bem pra saúde.
Pesquisa comparativas feitas entre monges budistas e freiras comprovaram que o hábito de meditar ou de orar e rezar reduz a produção de adrenalina e cortisol, os hormônios responsáveis pelo estresse, o que reduz a pressão arterial, regulariza os batimentos cardíacos e evita o acúmulo de gorduras nas artérias, prevenindo desta maneira a ocorrência de doenças coronárias. Já as ondas cerebrais, alfa e beta, associadas à sensação de relaxamento aumentam assim como a produção de serotonina, o neurotransmissor responsável pela regulação do sono, do humor e do apetite, e de endorfina (endo, interno + morfina, analgésico), o neurotransmissor encarregado de aliviar a dor.
Os mais disciplinados e fervorosos tem a atividade do seu lobo temporal, a região cerebral responsável pelo senso de orientação, pela percepção do tempo e do espaço, e pelo senso de individualidade, diminuída progressivamente até cessar nos momentos de pico. Mas, paralela e inversamente a isso a atividade do sistema límbico, o “cérebro emocional”, responsável pela memória e pelas respostas afetivas é aumentada. O efeito desses movimentos contraditórios é a expansão da consciência, que produz a sensação de união com o universo e o êxtase.
Para aqueles que precisam da autenticidade científica para dar valor a uma prática, agora podem meditar, rezar ou orar, mesmo porque o que importa no rito ou na técnica, como os ocidentais preferem, é ter um foco bem definido para disciplinar a mente. O foco pode ser a inspiração e a respiração, um som, uma imagem, uma paisagem, uma música, um mantra ou qualquer outro estímulo visual, sonoro ou tátil que facilite a concentração, a instrospecção e a reflexão.
O problema que vejo na importação de práticas orientais pelo Ocidente materialista é o uso pragmático que se faz delas. Isto é problemático porque o rito ou método terapêutico não nasceu num laboratório científico, nem tiveram uma composição neutra, mão como desdobramento de um sistema de crenças, ligados a uma teoria ou teologia, enraizados num padrão cultural.
Embora haja semelhanças nos procedimentos e no efeito que eles produzem, um estudo comparativo das religiões mostra isso - e, diga-se de passagem, há diferentes formas de entender as semelhanças -, ao transportá-los para uma outra cultura é necessário que se faça devidas adaptações. E para isso não é simplesmente ou necessariamente laicizar a prática, isto é, expurgá-la de seus traços religiosos, mas requer também rever – não negar nem subordinar - a nossa percepção do mundo, a nossa teologia ou nossa teoria sob risco de desvirtuamento do método.
A percepção média do oriental é global e do ocidental é compartimentada. O oriental médio entende a dor e o sofrimento como fenômenos que fazem parte da naturalidade da vida, que devem ser refletidos, e encarados, porque são vitais para o nosso amadurecimento. O ocidental médio os entende como “estraga-prazeres”, como obstáculos à felicidade, aos quais na medida do possível deve se fugir ou combatê-los artificial ou ilusoriamente.
Por que ressalto isso? Porque o ocidental tende a cair na ilusão de que a meditação ou alguma prática congênere, se bem efetuada, é um método natural que blindagem da dor e do sofrimento. E na imprudência de meditar para ter sensações psicodélicas e experiências surreais. Se muita gente faz isso com as drogas naturais e sintéticas, porque não o faz com a meditação.
É bom lembrar que um dos objetivos da meditação é a limpeza da mente, e nesse processo inevitavelmente há contato com memórias dolorosas que evocam sentimentos e emoções poluídas que “assombram a casa”, que se não está edificada sobre a rocha, sua estrutura se abala, seus “moradores” ficam desesperados e “saem correndo”, isto quando não surtam.
Sou simpático à meditação, como a acupuntura, a ioga e a aromaterapia. Embora pratique a meditação – a meu modo – menos do que gostaria de praticar, por indisciplina minha, comprovo seus benefícios, a sua salubridade, assim como os da acupuntura, bem antes de saber da chancela da medicina ocidental.
Em relação à espiritualidade cristã creio que a meditação pode ser um instrumento facilitador de autoconhecimento e de ampliação da consciência para uma apreensão maior do conhecimento revelado por Deus em Cristo. Os exercícios espirituais requerem disciplina, o que não tem nada a ver com autopunição, mas tudo a ver com o condicionamento para uma vida mais saudável.
Todavia, o cristão deve saber que ele é chamado a viver pela fé, entre outras razões porque sua sensibilidade é um radar falível para detectar a Palavra de Deus e porque a Palavra de Deus não produz necessariamente alterações químicas e fisiológicas no organismo. Deus fala e escuta mesmo quando a gente não geme, fica com as emoções “a flor da pele”, com o “coração aquecido” ou é tomado por alguma outra emoção arrebatadora ou quando tem uma crise nervosa. Creio, aliás, que na maioria das vezes Ele não fala e nem escuta assim. E o que certifica isso é a fé, não nossos órgãos dos sentidos.
Por fim, o cristão deve estar ciente também que não há vias naturais ou artificiais de acesso a Deus, que relativizem a mediação de Cristo ou que substitua a Graça. Isto porque diferentemente da compreensão budista a resposta para os problemas do ser humano não está nele, nem nele a capacidade para purificar mente, tampouco o luminoso está no centro da sua individualidade. A resposta está sim na ação graciosa e misericordiosa de Deus através de sua Palavra, a saber, Jesus Cristo, que vai ao encontro do ser humano, quando este busca ou pensa que foge de sua presença, e lhe comunica que a sua vida foi purificada na cruz.
Pesquisa comparativas feitas entre monges budistas e freiras comprovaram que o hábito de meditar ou de orar e rezar reduz a produção de adrenalina e cortisol, os hormônios responsáveis pelo estresse, o que reduz a pressão arterial, regulariza os batimentos cardíacos e evita o acúmulo de gorduras nas artérias, prevenindo desta maneira a ocorrência de doenças coronárias. Já as ondas cerebrais, alfa e beta, associadas à sensação de relaxamento aumentam assim como a produção de serotonina, o neurotransmissor responsável pela regulação do sono, do humor e do apetite, e de endorfina (endo, interno + morfina, analgésico), o neurotransmissor encarregado de aliviar a dor.
Os mais disciplinados e fervorosos tem a atividade do seu lobo temporal, a região cerebral responsável pelo senso de orientação, pela percepção do tempo e do espaço, e pelo senso de individualidade, diminuída progressivamente até cessar nos momentos de pico. Mas, paralela e inversamente a isso a atividade do sistema límbico, o “cérebro emocional”, responsável pela memória e pelas respostas afetivas é aumentada. O efeito desses movimentos contraditórios é a expansão da consciência, que produz a sensação de união com o universo e o êxtase.
Para aqueles que precisam da autenticidade científica para dar valor a uma prática, agora podem meditar, rezar ou orar, mesmo porque o que importa no rito ou na técnica, como os ocidentais preferem, é ter um foco bem definido para disciplinar a mente. O foco pode ser a inspiração e a respiração, um som, uma imagem, uma paisagem, uma música, um mantra ou qualquer outro estímulo visual, sonoro ou tátil que facilite a concentração, a instrospecção e a reflexão.
O problema que vejo na importação de práticas orientais pelo Ocidente materialista é o uso pragmático que se faz delas. Isto é problemático porque o rito ou método terapêutico não nasceu num laboratório científico, nem tiveram uma composição neutra, mão como desdobramento de um sistema de crenças, ligados a uma teoria ou teologia, enraizados num padrão cultural.
Embora haja semelhanças nos procedimentos e no efeito que eles produzem, um estudo comparativo das religiões mostra isso - e, diga-se de passagem, há diferentes formas de entender as semelhanças -, ao transportá-los para uma outra cultura é necessário que se faça devidas adaptações. E para isso não é simplesmente ou necessariamente laicizar a prática, isto é, expurgá-la de seus traços religiosos, mas requer também rever – não negar nem subordinar - a nossa percepção do mundo, a nossa teologia ou nossa teoria sob risco de desvirtuamento do método.
A percepção média do oriental é global e do ocidental é compartimentada. O oriental médio entende a dor e o sofrimento como fenômenos que fazem parte da naturalidade da vida, que devem ser refletidos, e encarados, porque são vitais para o nosso amadurecimento. O ocidental médio os entende como “estraga-prazeres”, como obstáculos à felicidade, aos quais na medida do possível deve se fugir ou combatê-los artificial ou ilusoriamente.
Por que ressalto isso? Porque o ocidental tende a cair na ilusão de que a meditação ou alguma prática congênere, se bem efetuada, é um método natural que blindagem da dor e do sofrimento. E na imprudência de meditar para ter sensações psicodélicas e experiências surreais. Se muita gente faz isso com as drogas naturais e sintéticas, porque não o faz com a meditação.
É bom lembrar que um dos objetivos da meditação é a limpeza da mente, e nesse processo inevitavelmente há contato com memórias dolorosas que evocam sentimentos e emoções poluídas que “assombram a casa”, que se não está edificada sobre a rocha, sua estrutura se abala, seus “moradores” ficam desesperados e “saem correndo”, isto quando não surtam.
Sou simpático à meditação, como a acupuntura, a ioga e a aromaterapia. Embora pratique a meditação – a meu modo – menos do que gostaria de praticar, por indisciplina minha, comprovo seus benefícios, a sua salubridade, assim como os da acupuntura, bem antes de saber da chancela da medicina ocidental.
Em relação à espiritualidade cristã creio que a meditação pode ser um instrumento facilitador de autoconhecimento e de ampliação da consciência para uma apreensão maior do conhecimento revelado por Deus em Cristo. Os exercícios espirituais requerem disciplina, o que não tem nada a ver com autopunição, mas tudo a ver com o condicionamento para uma vida mais saudável.
Todavia, o cristão deve saber que ele é chamado a viver pela fé, entre outras razões porque sua sensibilidade é um radar falível para detectar a Palavra de Deus e porque a Palavra de Deus não produz necessariamente alterações químicas e fisiológicas no organismo. Deus fala e escuta mesmo quando a gente não geme, fica com as emoções “a flor da pele”, com o “coração aquecido” ou é tomado por alguma outra emoção arrebatadora ou quando tem uma crise nervosa. Creio, aliás, que na maioria das vezes Ele não fala e nem escuta assim. E o que certifica isso é a fé, não nossos órgãos dos sentidos.
Por fim, o cristão deve estar ciente também que não há vias naturais ou artificiais de acesso a Deus, que relativizem a mediação de Cristo ou que substitua a Graça. Isto porque diferentemente da compreensão budista a resposta para os problemas do ser humano não está nele, nem nele a capacidade para purificar mente, tampouco o luminoso está no centro da sua individualidade. A resposta está sim na ação graciosa e misericordiosa de Deus através de sua Palavra, a saber, Jesus Cristo, que vai ao encontro do ser humano, quando este busca ou pensa que foge de sua presença, e lhe comunica que a sua vida foi purificada na cruz.
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